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De médico e vendedor, todo mundo tem um pouco

De médico e vendedor, todo mundo tem um pouco

“Torna-te aquilo que és.”

(Friedrich Nietzsche)

 

Quando penso no meu passado profissional, nos planos que tinha para minha carreira e em como fui parar na área de Vendas, até eu mesmo fico assustado. Eu era moleque, uns 17 anos, e tinha um grande amigo, um senhor dono de uma padaria. Eu precisava de dinheiro e ele me levou para trabalhar em uma empresa chamada Masterware, como vendedor de panelas.

Somente para fazer um dinheirinho, lá fui eu de porta em porta, vender as famosas “autoclaves de índole familiar para cocção científica de alimentos”. Traduzindo: panela que cozinhava sem água.

Foi uma das melhores fases da minha vida. Eu simplesmente me apaixonei por esse trabalho. Eu amava vender, fazer contato, entrar na casa das pessoas, mostrar o produto, fechar as vendas. Era muito gratificante.

Nessa época, entrei na faculdade de medicina – meu sonho. Comecei a abraçar a faculdade e não tinha mais tanto tempo para me dedicar às vendas. Fiquei sem trabalho e conseqüentemente o dinheiro foi acabando. Percebi que precisaria arrumar novo emprego, para meus períodos de folga da faculdade. Corri atrás de entrevistas nas mais diversas empresas.

Bati na porta da Johnson & Johnson. Eram apenas duas vagas de representante de vendas, para 300 candidatos. Eu aparecia na empresa de dois em dois dias para perguntar como andava o processo. Mostrei interesse total em trabalhar com eles. As outras entrevistas já haviam fracassado. Teve uma empresa que me cortou por causa da minha altura! Alegaram que não podiam ter um vendedor com menos de 1m70!

Eu precisava daquela oportunidade e consegui. Abracei as vendas com tanta paixão, que a medicina foi ficando em segundo plano. Lembro bem da minha namorada na época. Sua família dizia com orgulho, aos quatro ventos, que a menina namorava um “futuro médico”. No dia em que eu apareci dizendo que largaria a faculdade para me dedicar inteiramente à atividade de vender, todos me acharam louco.

Não demorou muito para isso acontecer de verdade. O fim do namoro também foi inevitável. Os familiares da moça diziam: “Mas você não vai ser nada dessa vida? Quanto tempo vai perder como vendedor?”.

de médico e vendedor, todo mundo tem um pouco

Da Johnson & Johnson fui para ADP Systems. Lá, também trabalhei com vendas, mas não consegui grandes feitos. Faltava conhecimento, faltavam ferramentas. Eu precisava saber mais, arriscar-me mais. Por isso, enquanto trabalhava na ADP, comecei a procurar outras oportunidades. Foi quando surgiu a grande chance de ocupar, nada mais nada menos, do que o cargo de Diretor de Marketing da VR.

Trabalhar na área de Marketing foi fundamental para mim. Era o que faltava para completar a visão que eu queria formar de Vendas. Da VR fui para o Grupo Verdi, ocupar o mesmo cargo. Ali, eu passei a trazer as ferramentas do Marketing para dentro do processo de vendas, e percebi o quanto ambos andam de mãos dadas.

Após ter trilhado tantos caminhos em tantas empresas, sei avaliar a importância dessa experiência. Quando senti estabilidade, abri minha empresa de consultoria, a New Marketing – Estratégias e Resultados de Mercado. Com ela, abracei projetos e atuei dentro das mais variadas empresas, levando meus conceitos e visões adiante, fazendo a diferença, realizando-me como profissional da área. Mas mesmo assim, parecia que faltava alguma coisa.

Até que, em 1991, recebi uma ligação de uma grande amiga, convidando-me para palestrar em uma empresa chamada SAS. Eles precisavam de alguém para falar sobre Vendas. Eu nunca na minha vida havia pensado em falar em público. Eu transmitia meus conhecimentos, mas de outras formas, atuando dentro das empresas.

Diretamente a um público, eu não pensava em falar, aliás, nunca pensei que levasse jeito para isso. Sempre fui tímido, tinha muitas inseguranças. Mas, ao final do dia, liguei de volta para minha amiga e aceitei o convite.

Nunca me esqueço da data. No dia 14 de agosto de 1991, fiz uma palestra sobre Vendas. Eu tive medo, receio, ansiedade, mas eu consegui. O mais incrível é que a palestra foi sensacional. O feedback do público foi extremamente positivo!

Aquilo mexeu comigo. Um “botãozinho” dentro de mim havia sido acionado, e nunca mais ninguém conseguiria desligá-lo. Virei palestrante assim. Posso dizer que essa palestra foi um divisor de águas na minha vida.

Passei a investir na minha imagem e a me apresentar não só como consultor, mas também como “palestrante”. Fechei muitas apresentações e usei o início da carreira, quando cobrava abaixo do mercado, para treinar diversos modelos. Criei estilos, métodos, técnicas. Virei professor de faculdade e fui exercitando minha habilidade de transmitir conhecimento.

Hoje, além da New Marketing, que funciona com uma equipe altamente capacitada, tenho a minha carreira-solo, como palestrante. Mal consigo parar em São Paulo, de tanto que viajo com palestras. É a grande realização da minha vida e ao mesmo tempo o trabalho mais cansativo que alguém pode arrumar.

Às vezes, exausto, penso: “Como vim parar aqui, meu Deus? O que estou fazendo da minha vida? Não aguento mais café-da-manhã de hotel!”. Mas, em seguida, lembro de toda essa trajetória. Com um sorriso estampado no rosto e meus 1,60 m, volto a compreender o que estou fazendo aqui.

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